Os benefícios de um retiro de
silêncio de 10 dias são inúmeros. Aprendemos a estar com nós mesmos,
assim como a valorizar a simplicidade da vida e a nos importar muito
mais com os outros.
Eu poderia escrever dezenas de
artigos sobre os benefícios de um retiro de silêncio de 10 dias. Poderia
passar horas e horas falando sobre o que um retiro espiritual fornece.
Tantas coisas poderiam ser ditas… mas vou dizer apenas algumas. Mostrarei aquelas que podem ser compartilhadas, porque a grande maioria é pessoal e individual. São experiências tão profundas que, por mais palavras que usemos, são impossíveis de transmitir. Além da impossibilidade de transmissão através do meio oral ou escrito, pertencem à esfera interna, do privado. Quando fiz meu primeiro retiro de 7 dias, dois anos atrás, um dos
primeiros impulsos ao sair foi falar sobre a experiência. Naquele
momento percebi que nem todos estão preparados para entender o que, para alguns, pode ser uma experiência transformadora. Desde então, não falo muito a respeito, a menos que me perguntem, ou o faço muito superficialmente. De fato, ao sair do meu último retiro, uma das primeiras coisas que me perguntaram foi: “Dez dias sem falar com ninguém e sem usar o celular?”, “Sim”, respondi, “Como você é estranho”, me responderam.
O que é um retiro?
Um retiro consiste basicamente em se retirar da vida. Dito assim, parece um pouco sombrio, mas vamos explicar melhor. No dia a dia nos deparamos com situações que provocam raiva, assim
como pessoas que nos irritam. Enfrentamos acontecimentos que nos
entristecem. Em resumo, devemos enfrentar, de maneira mais ou menos contínua, situações que criam desconforto. Por outro lado, também somos vítimas de apegos que, em um extremo grave, poderiam ser classificados como vícios. Portanto, um retiro consiste em afastar-se temporariamente do que nos causa tanto desconforto para aprender a estar com nós mesmos.
Isso é feito com a ajuda dos ensinamentos de um professor altamente
qualificado, que orienta e estabelece algumas orientações a seguir.
Os primeiros momentos
Sendo meu terceiro retiro, eu já tinha alguma experiência, mas os primeiros momentos são sempre diferentes.
Além disso, este retiro consistia no final do curso para ser um
instrutor em meditação budista, então eu senti uma grande
responsabilidade. Entre um retiro e outro, a vida continuou e seguimos acumulando experiência. Ao
atravessar a porta do centro de retiro você sabe que, apesar de estar
acompanhado de outros participantes, ficará sozinho com a sua mente. Sem celular, sem computador, sem Internet, sem contato com o exterior. Em nosso dia a dia, evitamos constantemente nossos pensamentos mais
desconfortáveis. Nós não toleramos pensar sobre o que nos causa dor e é
por isso que sempre recorremos ao celular ou a qualquer outra atividade
para nos distrair. Em um retiro você está sozinho diante do perigo: sua mente e seus pensamentos.
Meditação e pensamentos em um retiro de silêncio
Meditação
Ao se tratar de um retiro de silêncio de final de curso de Instrutor
em Meditação Tibetana, meditávamos entre 5 e 6 vezes por dia como uma
prática, além das meditações individuais que cada um quisesse fazer. Nós
também recebíamos ensinamentos. Este era nosso único estímulo auditivo,
as palavras do professor algumas horas por dia. Para o restante,
silêncio. Ao meditar, você se torna consciente da quantidade de pensamentos que às vezes passam pela sua mente. Pensamentos que você achou que foram superados e outros mais atuais. Alguns permanecem em sua mente como um punhal nas costas. Você se senta de pernas cruzadas, respira profunda e lentamente e
deixa o pensamento passar, observando-o sem julgar. No entanto, quando
termina a meditação, ele volta novamente.
Pensamentos
Os pensamentos que parecíamos ter sob controle começam a
emergir, a surgir como a lava de um vulcão completamente fora de
controle. Aparece a ponta de um pensamento e, no dia a dia, nós o escondemos. No retiro, não apenas a ponta do iceberg aparece, mas todo o gelo
começa a emergir e, pouco a pouco, você vê seu tamanho: enorme! Você
percebe que muitos pensamentos são como o iceberg que afundou o
Titanic: por fora acredita que não o afetam tanto, mas disfarçadamente
estão ferindo seu interior de tal forma que, gradualmente,
estão afundando sua saúde emocional, seu ânimo, sua autoestima…
Parabéns, você está começando a enfrentar seus próprios demônios!
“Em um retiro de silêncio, todo
pensamento perturbador parece se tornar um dragão feroz, mas devemos
saber que ele é fruto de nossas mentes e manter a calma”.
Não é raro que os participantes tenham ataques de ansiedade, tremores, sudorese, vontade de chorar, palpitações, hiperventilação, etc.
Esses sintomas não são descritos para assustar, e sim pelo contrário,
para que saibamos tudo o que acontece quando realmente encaramos nossa
mente, para que saibamos o quanto escondemos de nós mesmos. Quando temos
que encarar, nem sabemos por onde começar. De alguma forma, essa ansiedade também poderia ser explicada como uma síndrome de abstinência da vida cotidiana.
Estamos acostumados a uma certa rotina, a ir daqui para lá, mas em um
centro de retiro você tem um cronograma definido. Não tem acesso à
tecnologia, não pode sair do seu quarto no meio da noite e ir para a
geladeira para tomar um sorvete. Esses são hábitos que devemos eliminar para adotar um cronograma e comportamento diferentes, e isso pode causar algum desconforto. Além disso, ao se tratar de um retiro de silêncio, também não podemos falar. Tudo é diferente.
Mas… quais são os benefícios de um retiro de silêncio de 10 dias?
O curioso é que os benefícios do retiro de silêncio não começam a ser sentidos até que você retorne à vida diária. Estando lá você sente tranquilidade, serenidade. Mesmo que você tenha estado emocionalmente agitado por alguns dias, tudo volta ao normal. A mente está muito mais calma, você não precisa falar, não precisa de
muito estímulo externo para ser feliz. Você é suficiente consigo mesmo e
pouco mais. Você sai do centro de retiro a caminho de casa e começa a ser
invadido pelo ruído do ambiente: carros, pessoas falando, gente
gritando, batidas… Começa a estar consciente do ruído excessivo
pelo qual estamos envolvidos e que nos provoca um estado de estresse
quase de forma inconsciente. Aqueles que moram sozinhos têm essa vantagem, mas quando se vive com
mais pessoas em casa, um está com a TV ligada, outro o computador, outro
com o celular, e quase todos estão vendo coisas que não fornecem nada
realmente útil.
“Nosso corpo e nossa mente têm a capacidade de curar a si mesmos se lhes permitirmos descansar”. -Thich Nhat Hanh-
Quando você começa a se relacionar com as pessoas novamente, percebe que muitas das conversas são puramente sociais, ou seja, para preencher uma lacuna, e não contribuem para o crescimento. Isso não significa que elas sejam negativas, mas vale uma reflexão. Falamos um pouco sobre o país, sobre os amigos, sobre esportes, mas…
melhoramos como pessoas? Depois de dez dias intensos dedicados ao
desenvolvimento interior, você se torna consciente da quantidade de
informação supérflua usada apenas para falar. Você aprende a apreciar o simples, o que realmente dá valor às nossas vidas.
Quando você visita um shopping, observa apenas a opulência, o
consumismo e o materialismo. Abrimos os olhos e percebemos que desde
pequenos nos ensinaram a buscar a felicidade nas coisas externas, mas
que ela está dentro de nós. Felizmente, podemos aprender a cultivá-la.
Fase da caverna, do vale e do cemitério
A questão do retorno ao dia a dia é um aspecto importante, uma vez que muitos podem ficar obcecados em falar apenas sobre o que os ajuda em seu desenvolvimento interior. No entanto, o ideal é alcançar o equilíbrio. Não deixar de lado nossos amigos ou nossa família, mas também não deixar de lado, por exemplo, nossas práticas meditativas. Lama Rinchen Gyaltsen conduziu o curso de treinamento em meditação e sempre falava das três fases do caminho espiritual:
Fase da caverna.
Fase do vale.
Fase do cemitério.
A primeira fase consiste em se afastar de tudo que o afeta negativamente ou cria apego e se preparar. É um treinamento mental. Quando acreditamos que estamos prontos, descemos ao vale para “lidar” com o dia a dia e ver até onde evoluímos. Finalmente, a fase do cemitério já estaria um pouco desatualizada.
Antigamente, na Índia, os cemitérios eram lugares onde era possível ver
corpos podres. Então dizia-se que se alguém fosse capaz de meditar em um cemitério, seu nível de evolução era realmente alto. Felizmente, não precisamos ir meditar em um cemitério e, se quisermos
fazê-lo, hoje em dia, pelo menos no Brasil, não teremos corpos à vista. Muitos, quando saem do retiro, fingem que tudo permanece tão calmo
quanto na “caverna”, mas isso é muito difícil e pouco realista. Todos os
dias nos bombardeiam com centenas de estímulos e temos que enfrentar
diferentes situações e contratempos. No entanto, também não é saudável ser levado pelo vórtice insano e extremamente materialista da fase do vale. Assim, o
ideal é saber interagir com o nosso ambiente, sendo capazes de manter
uma certa calma e não deixar nossas práticas pessoais de lado.
Recomendações para fazer um retiro de silêncio
Primeiramente, é aconselhável começar com um retiro curto de 2 ou 3 dias. Acima de tudo, é preciso ser algo guiado.
Os três retiros que fiz (7 dias, 3 dias e 10 dias) foram orientados. Eu
comecei diretamente com um de 7 dias que mudou a minha vida, mas que
poderia causar um certo grau de ansiedade para muitos. Por outro lado, é importante conhecer o centro, isto
é, buscar referências, tentar encontrar pessoas que participaram,
consultar o site, ver quem são os mestres… Esta informação nos dará
garantias sobre o local onde será feito o retiro. Outro aspecto importante é saber que nem todos os retiros são de
silêncio. Muitos são de práticas meditativas, mas não exigem silêncio,
embora seja verdade que, de alguma forma, talvez inconscientemente, as
pessoas tendam a falar menos. Agora, é essencial saber que, se fizermos um retiro silencioso, podemos sentir ansiedade e desconforto por alguns dias.
É uma fase muito normal. Neste caso, se não soubermos o que fazer, é
melhor consultar o professor e ele nos dará as instruções para melhorar
nossa situação. Acima de tudo, não devemos nos assustar.
Comentários finais
Muitas pessoas me dizem que jamais fariam um retiro de silêncio, mas
eu gostaria de recomendar a experiência, mesmo que seja apenas um fim de
semana. Gastamos muito dinheiro em caprichos, investimos muito tempo em
tarefas vazias; que mal poderia surgir deinvestir um pouco de dinheiro e tempo em algo tão benéfico quanto o desenvolvimento interior?
Com certeza você tem diversas ideias do que você quer para a sua vida.
Coisas para fazer, metas a cumprir e pessoas com quem conviver. Mas às
vezes você não tem tempo para alcançar tudo… ou talvez apenas pareça
isso. Você já pensou que talvez esteja desperdiçando a sua vida?
Talvez algumas coisas nas quais você se vê submerso não sejam necessárias, ou talvez você esteja perdendo muito tempo sem nem perceber. Será que realmente falta tempo ou você só investe em coisas que não levam a lugar nenhum? Continue lendo e descubra.
“O passado já fugiu, o que se espera está ausente, mas o presente é seu”. -Provérbio árabe-
1. Você gasta tempo no que não contribui
Você precisa de momentos para se desligar das obrigações profissionais e se distrair. Mas se a maior parte do seu tempo é destinada a distrações, você acabará com a sensação de que não fez nada.
Não estou dizendo para eliminar todas as atividades recreativas da sua
vida, e sim que você preserve aquelas que contribuem com alguma coisa e
reduza as outras.
Entre as atividades que farão você
sentir que desperdiça a sua vida estão beber em excesso, passar horas
assistindo televisão ou se perder nas redes sociais. Se você quer estar com seus amigos, procure alternativas como sair para acampar ou jantar em casa e bater papo à vontade. Escolha alternativas que sirvam para melhorar as suas relações e ter a vida que você deseja.
2. Você não melhora as suas habilidades
Os seres humanos estão programados para aprender coisas novas. Uma forma de desperdiçar a sua vida é não dar a si mesmo a oportunidade de aprender e crescer sempre. Você
lembra que anteriormente mencionei que você deve evitar as atividades
que não contribuem com nada? Então, uma excelente alternativa é usar os
tempos mortos para praticar jogos mentais.
Faça com que a sua mente trabalhe e desafie-se sempre que puder.
Opções como palavras cruzadas e sudokus o ajudarão, e em pouco tempo
você ficará viciado em seus desafios. Outra excelente alternativa para
fazer com que a sua mente se desenvolva é aprender novas habilidades.
Desde tocar um instrumento musical até aprender um novo idioma. Se você
quer algo que requeira menos esforço, leia.
“Aprender a aprender é a habilidade mais importante da educação, e deve ser explicada desde as primeiras lições”.
-John Seymour-
3. Falar consigo negativamente
O diálogo negativo é uma excelente forma de desperdiçar a sua vida.
Se esse diálogo se dá no seu interior e com você mesmo, é ainda pior.
Lembre-se de que aquilo que você pensa se torna realidade. Você é
consciente do que você diz a si mesmo cada vez que você tem um tempo
ocioso? Quão gentil você é consigo mesmo? Quando chega o momento de enfrentar um desafio e você se dá por vencido na sua mente, o fracasso está praticamente assegurado.
Claro que não é fácil mudar esse tipo de diálogo porque ele não acontece de forma consciente. O que você precisa fazer é prestar atenção ao que você está falando para si e pouco a pouco modificar essa mensagem. Você também pode ocupar a sua mente para diminuir esse tipo de mensagem.
4. Você não planeja o futuro, nem a sua vida
Como você se imagina daqui a dez anos?
O que você gostaria de estar fazendo neste momento? Com quais recursos
você fará isso? Embora seja verdade que é preciso viver o presente,
nunca se deve esquecer do futuro. As metas funcionam como um motivo para continuar e evitam que você desperdice a sua vida. Permitem criar um caminho e fazem você sentir que realmente tem algo a melhorar e pelo que perseverar.
“O futuro tem muitos nomes. Para os
fracos é o inatingível. Para os temerosos, o desconhecido. Para os
valentes, a oportunidade.”
-Victor Hugo-
Muitas pessoas vivem quase como zumbis.
De manhã acordam, tomam café, vão para o trabalho e voltam para casa.
Todo dia é igual e quando tiram um tempo para analisar as suas vidas, se
sentem vazios. Isto acontece porque elas não têm uma meta a cumprir.
Defina uma ou duas grandes metas e
outras menores. Que tal correr uma maratona em 2017? Depois de definir o
seu objetivo principal, crie metas menores e realistas que possam ser
alcançadas, como correr uma prova de 5km, depois uma de 10km, completar
uma meia-maratona, etc.
Não se permita desperdiçar a sua vida. Aproveite-a para crescer e melhorar. A melhor coisa que você pode fazer é viver plenamente porque você não vai ter oportunidade de desfazer as suas decisões.
Uma lesão ou alteração no lobo
temporal pode causar diferentes tipos de surdez e até mesmo uma grande
depressão. Conhecer as funções dessa estrutura nos permite saber muito
mais sobre nós mesmos.
Comunicar com eficácia. Ler e escrever. Lembrar de um beijo marcante.
Experimentar o desejo sexual. Cuidar da nossa estabilidade emocional.
Saber para que serve um livro ou um elevador. Se emocionar ao ver um
filme. Todos estes e muitos outros processos são regulados por uma área
muito específica: o lobo temporal.
Heráclito disse que nada na natureza é estável, tudo muda e tudo
flui, inclusive os tecidos do nosso organismo. No entanto, há um aspecto
que caracteriza cada um de nós: temos a sensação de que somos sempre os mesmos.
No entanto, as células dos nossos tecidos não são as únicas que mudam
de tempos em tempos. O mesmo acontece com o cérebro e com cada um dos
nossos processos mentais, com cada aprendizagem, com cada experiência,
sensação e emoção.
Assim, por mais impressionante que pareça, o lobo temporal é a área do nosso cérebro que mais favorece nossas mudanças,
pois graças a ele aprendemos, lembramos, nos motivamos, processamos
informações, estabelecemos vínculos emocionais para podermos nos adaptar
melhor ao nosso ambiente.
Grandes especialistas na área, como Francisco J. Rubia, doutor em medicina da Universidade de Düsseldorf e autor de livros como O cérebro nos engana, O que você sabe sobre o seu cérebro? e O cérebro espiritual, diz que as lesões e distúrbios associados ao lobo temporal são os mais estranhos e chamativos.
“Você não está percebendo o que está lá fora. Está percebendo o que seu cérebro lhe diz”.
-David Eagleman, Incognito-
Onde fica o lobo temporal?
Para localizar o lobo temporal, devemos visualizar a área contida na altura das orelhas.
É separado do lobo parietal pela fissura de Sylvian e é, para muitos
biólogos, uma das partes mais novas do cérebro; na verdade, só aparece
nos vertebrados.
Da mesma forma e como todas as outras regiões do cérebro, não é uma
estrutura anatomicamente isolada. Funciona em conjunto com as outras
áreas, mas poderíamos dizer que é uma estrutura muito dinâmica, sensível e em constante interação com os sentidos e o nosso ambiente.
De fato, e esses dados são interessantes, estamos diante do lobo cerebral que tem mais conexões com o sistema límbico. Portanto, ele tem uma grande responsabilidade em um grande número de processos relacionados às nossas emoções e memória.
Áreas e funções do lobo temporal
O lobo temporal, como ocorre com todas as estruturas cerebrais, tem um hemisfério direito e um hemisfério esquerdo.
Além disso, possui várias estruturas com múltiplas interconexões que
favorecem certos tipo de funções. As mais conhecidas e estudadas são as
seguintes:
Percepção auditiva
Memória
Fala
Compreensão da linguagem
Respostas emocionais
Percepção visual
Reconhecimento facial
Vejamos, em detalhes, onde cada um desses processos é realizado.
Córtex auditivo
Perceber os sons, entender de onde eles vêm, identificar tons musicais, se comunicar de forma efetiva e coerente… Todos esses processos são mediados pelo córtex auditivo do lobo temporal, uma área-chave para a comunicação humana.
Córtex visual
O córtex visual do lobo temporal está envolvido em nossa capacidade de reconhecer objetos,
rostos, assim como qualquer estímulo visual. Qualquer alteração nessa
estrutura teria, sem dúvida, efeitos sérios. Não poderíamos identificar
nada que nos rodeia.
Área de Wernike
A área de Wernike está dentro do córtex auditivo e desempenha um papel essencial: a compreensão da linguagem falada.
Deve-se notar, no entanto, que essa estrutura apenas facilita a
compreensão. A capacidade de se comunicar após decodificar uma mensagem é
dada na área de Broca.
Giro angular
Ler e escrever, decodificar símbolos, compreendê-los, vincular
grafemas a fonemas… Todos esses processos afinados e sofisticados
requerem a capacidade de associar informações visuais com auditivas,
algo que ocorre precisamente nessa área: o giro angular.
Giro supramarginal
Tocar um objeto e antecipar o que vamos sentir, ou reconhecer o que é apenas pelas sensações que nos produz.
Acariciar alguém e experimentar um acúmulo de sensações valiosas e
agradáveis… Esse tipo de experiência é mediado por uma estrutura tão
pequena quanto poderosa: o giro supramarginal.
Área de associação parieto-temporo-occipital
A área de associação parieto-temporo-occipital envolve o lobo temporal, o parietal e o occipital.
Esta área do nosso cérebro ainda não é conhecida profundamente, mas até
agora sabemos que está relacionada com os seguintes processos:
Percepção espacial.
Atenção dirigida.
Integração visomotora.
O poder de nos posicionarmos e orientarmos nosso corpo ao ver um estímulo visual ou ao ouvir um som.
Também está relacionada a processos de memória (como reconhecer pessoas queridas)
Área de associação com o sistema límbico
Esta parte do lobo temporal é uma das mais interessantes e decisivas
em muitos dos nossos processos sociais. Estas seriam algumas tarefas que
realiza:
Relacionar as pessoas com experiências emocionais.
Facilitar a motivação.
Ajuda a adicionar um componente emocional a tudo que vemos.
Como já dissemos, biólogos e neurologistas acreditam que o lobo
temporal é uma das estruturas mais novas do nosso cérebro. Ele se
relaciona com a comunicação, com a leitura, a escrita…
Se a isso acrescentarmos o vínculo com a parte mais primitiva do nosso comportamento, o sistema límbico, compreenderemos a sua grande importância quanto ao número de doenças que podem envolver danos cerebrais ou alterações nesta área.
Por exemplo, um dos estudos mais recentes, realizado pela Unidade de Metabolismo Cerebral do Hospital Real MRC em Edimburgo, indica que as pessoas com depressão profunda apresentam várias alterações no lobo temporal.
Vamos ver quais outras implicações sofremos com um problema nessa área do cérebro:
Surdez cortical: a pessoa recebe a informação auditiva, mas o cérebro não consegue entendê-la.
Surdez
Distúrbios da linguagem, como afasias.
Heminegligência: problemas de orientação e incapacidade de reagir diante dos estímulos.
Amnésia anterógrada, problemas para lembrar de novos aprendizados e estabelecer novas experiências.
Síndrome de Klüver-Bucy: comum na doença de Alzheimer,
caracteriza-se pela passividade, problemas de atenção e problemas sérios
na regulação emocional.
Síndrome de Capgras: é um transtorno delirante em que o paciente acha que um amigo próximo ou parente foi substituído.
Para concluir, o lobo temporal realiza, como podemos ver, infinitas tarefas que
nos permitem ser quem somos, pessoas que se adaptam ao seu ambiente e
que também desempenham as funções mais distintas da nossa espécie: a
comunicação, a escrita e a leitura.
Baños, R. y Perpiña, C. (2002). Exploración Psicopatológica. Madrid: Síntesis.
Belloch, A., Baños, R. y Perpiñá, C. (2008) Psicopatología de la
percepción y la imaginación. En A. Belloch, B. Sandín y F. Ramos (Eds.)
Manual de Psicopatología (2ª edición). Vol I. Madrid: McGraw Hill
Interamericana.
Carlson, N.R. (1999). Fisiología de la conducta. Barcelona: Ariel Psicología.
Carpenter, M.B. (1994). Neuroanatomía. Fundamentos. Buenos Aires: Editorial Panamericana.
Delgado, J.M.; Ferrús, A.; Mora, F.; Rubia, F.J. (eds) (1998). Manual de Neurociencia. Madrid: Síntesis.
Diamond, M.C.; Scheibel, A.B. y Elson, L.M. (1996). El cerebro humano. Libro de trabajo. Barcelona: Ariel.
Se
quisermos construir uma vida de paz e felicidade, é essencial desativar
nosso hábito de colecionar memórias negativas. Quando nos conectamos a
elas, a emoção que sentimos no momento em que se formaram, é
imediatamente desperta. Então, lembrar é reviver os acontecimentos ruins, inúmeras vezes.
Como, então, conseguir fazer com que a mente pare de acessar incessantemente esta memória? O primeiro passo é tornar-se um observador, pois somente este exercício pode nos permitir perceber o padrão de negatividade mental em que vivemos na maior parte do tempo.
A partir do momento em que nos tornamos conscientes disso, podemos
escolher se desejamos prosseguir desse modo, ou tentar construir uma
nova forma de viver.
Se a resposta a esta pergunta for um não, ou seja, se estivermos
cansados de repetir sempre o mesmo padrão miserável na forma de lidar
com a vida, torna-se possível, então, dar o segundo passo.
Em que consiste este passo? Em manter o foco no pólo oposto, ou seja, nos acontecimentos prazerosos e benéficos que nos acontecem. Ah, dirão alguns, mas nada de bom ocorre em minha vida.
Se isto ainda é a sua realidade é porque, certamente, não encontraram o
foco, não ajustaram sua visão para perceber as bênçãos que a existência
lhes oferece todos os dias.
Para isto, basta se perguntar, a cada manhã, se você está feliz com a
sua vida. Caso a resposta seja um não, assuma a responsabilidade por
fazer com que ela se transforme. Ninguém mais poderá fazer isso por você.
5 chaves do Mindfulness para mudar sua vida em 15 dias
As grandes mudanças vêm precedidas de
pequenas sacudidas, de tímidas variações diárias que têm o poder de
mudar a nossa vida na direção correta. O Mindfulness pode nos ajudar a
conseguir isso, e essas cinco chaves nos permitirão aprender a ser mais
conscientes do momento presente para realizar mudanças reais em pouco
tempo.
Todos sabemos que quando falamos de felicidade, não existem milagres. O que existe é a força de vontade e a mente aberta que dia após dia e pouco a pouco vai sendo mais perceptiva a tudo o que acontece ao seu redor para intuir oportunidades. Para cruzar a porta certa no momento certo.
Alegre-se, porque todo lugar é AQUI E AGORA, e porque todo momento é AGORA.
Um dos maiores inimigos que nos separa destes limiares de oportunidade é sem dúvida a “mente errante”. Tanto é que, segundo nos revelam vários estudos, nós passamos cerca de 30 a 40% do nosso tempo na posição de “piloto automático”.
Viver uma vida rotineira onde nos transformamos em meros passageiros em
vez de comandantes é como deixar a nossa própria felicidade nas mãos do
destino.
Isso não é o mais adequado. Por isso, propomos que você faça algumas
mudanças. Te convidamos a incluir no seu dia a dia essas cinco chaves
para ver resultados diretos em 15 dias.
1. Seja receptivo às suas emoções, o melhor momento para lidar com elas é AGORA
O Mindfulness é, acima de tudo, uma filosofia de vida; uma ferramenta
para desenvolver uma consciência mais plena com o nosso momento
presente e o que acontece nele.
Nada disso teria sentido se não prestássemos atenção nas nossas
emoções. Aspectos como a decepção, o nojo, a contradição ou a raiva não
podem ser colocadas dentro de uma pasta do disco rígido do nosso cérebro.
Nós devemos geri-las, entender essas emoções, tomar o controle desse mundo interior sem adiar.
2. O Mindfulness ensina a parar de julgar
Aprenda a viver sua própria realidade sem julgar. Os outros têm todo o direito de fazer, entender e viver sua vida como desejam.
A sua vida é sua, seja responsável por ela e evite fazer julgamentos
sobre os universos alheios ao seu. Algo tão simples permitirá que você
disponha de um estado de calma e equilíbrio adequado a partir de hoje.
3. Seja receptivo, escute, aprenda a estar presente
Faça isso, apague neste exato momento o som incessante e repetitivo dos seus pensamentos.
Agora abra os olhos, mas não só para olhar: “veja” com maior calma tudo aquilo que o rodeia.
Agora, aprenda a escutar. Você tem “ouvido” sons durante muito tempo, mas é hora de sentir, de ver e ouvir com o coração, com o centro da sua mente.
Da mesma forma, outra ferramenta excepcional para aprender a estar mais presente é gerir melhor o nosso tempo. Se
você deseja ter uma vida mais plena, é necessário aprender a aplicar
filtros mentais adequados e a concentrar todas as suas energias e
recursos pessoais nesse propósito de vida que tem em mente.
4. Deixe de lado o “EU TENHO QUE SER” para praticar o “EU SOU”
Nós passamos grande parte da nossa vida sendo o que os outros esperam de nós. Nos
esforçamos para agradar, para ser o que os outros querem… Tudo isso é
fonte de sofrimento desnecessário que nos leva a uma dura infelicidade.
Faça mudanças. Substitua o “eu tenho que ser” pelo “eu sou”.
A meditação pode ser uma grande aliada para lembrar-nos de quem somos e entrarmos em contato com o nosso verdadeiro eu no momento presente.
Não podemos nos esquecer de que a ferramenta essencial do Mindfulness é, sem dúvidas, a meditação.
5. Pratique a aceitação
Praticar a aceitação no nosso dia a dia não significa nos rendermos diante de tudo aquilo que acontece ao nosso redor.
Significa, em primeiro lugar, aceitarmos a nós mesmos e as nossas emoções presentes.
A aceitação também nos permite entender realidades alheias às nossas e a respeitá-las.
Da mesma forma, saber aceitar é falar o idioma do coração onde se conjugam a tolerância e a compreensão. Só assim seremos capazes de iniciar mudanças, de abrir as portas em direção ao nosso bem-estar interior.
Para concluir, estas cinco chaves são como janelas que espreitamos todos os dias para ver e entender a vida de outro modo.
O Mindfulness é o melhor marco para nos aproximarmos de uma felicidade mais plena e mais autêntica. Não hesite em aproveitar suas ferramentas, em permitir-se ser guiado por especialistas da área. A formação é sempre o modo mais simples e prático de conseguir resultados diretos em pouco tempo.